Ouvir o diagnóstico de cancro da próstata é sempre um momento difícil. Mas há uma notícia que costuma trazer algum alívio: hoje em dia existem várias opções de tratamento minimamente invasivas, com excelentes resultados oncológicos e uma recuperação muito mais rápida e confortável do que a cirurgia radical "aberta".

Neste artigo explico, em linguagem simples, três das opções minimamente invasivas mais relevantes — braquiterapia, criocirurgia e terapia focal — e também a cirurgia laparoscópica / robótica, para quando a cirurgia continua a ser a melhor escolha.

Braquiterapia

A braquiterapia consiste em colocar pequenas fontes radioactivas directamente dentro da próstata, permitindo concentrar a dose de radiação no tumor e poupar ao máximo os tecidos e órgãos vizinhos, como a bexiga e o recto.

Vantagens:

  • Procedimento único ou de curta duração, geralmente em regime ambulatório ou de curto internamento
  • Recuperação rápida, com retoma da actividade normal em poucos dias
  • Boa opção para tumores localizados, de risco baixo a intermédio

É uma excelente alternativa para doentes que preferem evitar a cirurgia ou que têm características clínicas que a tornam particularmente indicada.

Criocirurgia (crioterapia)

A criocirurgia utiliza o congelamento controlado para destruir o tecido prostático doente. Através de pequenas agulhas introduzidas através da pele (sem incisões grandes, apenas "picada"), o tecido tumoral é submetido a ciclos de congelamento e descongelamento que provocam a sua destruição, com um controlo rigoroso por imagem em tempo real.

Vantagens:

  • Minimamente invasiva, sem necessidade de incisões cirúrgicas
  • Recuperação geralmente rápida
  • Pode ser usada como tratamento primário ou em casos de recidiva após radioterapia

A criocirurgia é particularmente útil em situações em que outras opções já foram utilizadas ou não são indicadas, e o seu perfil de efeitos secundários deve ser sempre discutido individualmente. Tem a vantagem de poder ser usada em tratamentos focais.

Terapêuticas focais

A terapêutica focal representa uma mudança de paradigma no tratamento do cancro da próstata: em vez de tratar toda a glândula, trata-se apenas a área onde o tumor está localizado, preservando o tecido saudável circundante.

Vantagens:

  • Menor impacto na função eréctil e no controlo urinário, comparativamente a tratamentos que abrangem toda a glândula
  • Recuperação rápida
  • Possibilidade de repetir o tratamento ou associar outras opções, se necessário

A terapêutica focal é indicada sobretudo em casos seleccionados, com tumores bem localizados e sendo fundamental uma avaliação detalhada (incluindo ressonância magnética multiparamétrica e biopsias prostáticas de fusão) antes de a propor.

Cirurgia minimamente invasiva

Quando a cirurgia é a opção mais adequada, a via minimamente invasiva (laparoscópica / robótica) permite remover a próstata através de pequenas incisões, com uma câmara e instrumentos especializados, em vez de uma incisão abdominal grande.

Vantagens face à cirurgia aberta tradicional:

  • Menor perda de sangue durante a intervenção
  • Menos dor no pós-operatório
  • Cicatrizes mais pequenas e recuperação mais rápida
  • Internamento habitualmente mais curto

É uma técnica com resultados oncológicos e funcionais bem estabelecidos e com muitos anos de experiência acumulada, sendo actualmente a via cirúrgica que utilizo na minha prática.

Como se escolhe o tratamento certo?

Não existe uma resposta única — a escolha depende de vários factores: o estádio e agressividade do tumor, a localização, a idade e estado geral de saúde, a função sexual e urinária de base, e também as preferências pessoais de cada doente. É por isso que uma avaliação individualizada, personalizada e detalhada é essencial antes de qualquer decisão.

Quando marcar consulta?

Deve procurar avaliação urológica especializada se:

  • Recebeu recentemente um diagnóstico de cancro da próstata e quer conhecer todas as opções
  • Já foi proposta a cirurgia tradicional e gostaria de saber se uma via minimamente invasiva é adequada ao seu caso
  • Está a ponderar uma segunda opinião sobre o tratamento mais indicado
  • Tem dúvidas sobre os efeitos de cada tratamento na sua qualidade de vida futura

Tomar uma decisão informada é um dos passos mais importantes em todo este processo — e não precisa de o fazer sozinho.

Foi diagnosticado com cancro da próstata e quer perceber quais as melhores opções para o seu caso? Marque uma consulta comigo e vamos analisar em conjunto, com toda a calma, qual o tratamento mais adequado à sua situação.

Este artigo tem fins meramente informativos e não substitui uma consulta médica. A escolha do tratamento deve ser sempre individualizada e discutida com o seu urologista..